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 “Guiadores” explora, em modo criativo, as respostas do artista Cristiano Mangovo ao exercício do equilíbrio de poder (e suas contradições) entre uma sociedade que está em constante mudança e o questionamento dessa mesma sociedade. Desenvolvimento e evolução não são forçosamente sinónimos, mas não se contradizem. 
 
Comprometido com as principais questões específicas do contexto em que opera, como a protecção ambiental, os direitos da mulher, ou sobre temas como o consumismo, os valores humanos, as relações sociais ou o urbanismo, o artista tem como framework a paisagem urbana e as cenas da vida quotidiana.
 
A paisagem africana de hoje oferece novas formas de reflexão e de diálogo em todos os aspectos. Mudança, velocidade e surpresa são constantes. Energia, urgência e emoção são uma presença nutritiva e por isso fértil. 
 
Certo é que, desenvolvimento está ligado a valores humanos e sociais, como evolução está ligada à tecnologia e ao conhecimento. Neste equilíbrio (ou desequilíbrio), o artista propõe um olhar mais atento às consequências que estão intrinsecamente ligadas: jogos de poder, manipulação, consumismo desenfreado, violência e paternalismo, mas também energia, luz e a lembrança de um passado que existe num sistema moderno e evolutivo. 
 
A filosofia do artista assenta em três letras «WNN: Winkeba e Nkeba bu Nkaka». Em ibinda, uma das línguas que faz parte dos idiomas nacionais da República de Angola, também conhecida por fiote, para significar: “protege-te a ti e protege também os outros”. 
 
Mangovo apresenta nesta exposição 27 pinturas e 3 esculturas numa colecção que abarca diferentes períodos de maturação, técnica e estilo. Obras como “Candongueiro de Verão” e “Encontro das zungueiras”, expressionistas por si, permitem uma dinâmica mais emocional, já que representam toda esta tradição e energia (muitas vezes do caos), numa dança e mistura de cores; “134”, “Universo azul” e “Energia da paz” remetem-nos para um processo de consciencialização da violência e da necessidade de luz e paz. 
 
Guiadores” traz-nos também o lado mais contemporâneo do artista, expresso no estilo hyperrealismo e nos temas mais globais, que, através da noção de “motorman”, enquanto metáfora, remete-nos para a importância da autonomia e de independência, sobretudo no pensamento (“Eu quero eu”) e da urgência de desenvolvimento. A moto é um meio para atingir um fim e é expressão da evolução no contexto dos países em vias de desenvolvimento. Nas próprias palavras do artista “Todos os dias, procuramos sair do ponto A para o ponto B, de várias maneiras, física ou espiritualmente. Eis toda a marcha que uma pessoa é obrigada de fazer para sentir uma certa evolução na sua vida quotidiana.”
 
As obras “Business as usual”, “Dalai Lama” e “Papa”, permitem-nos a tomada de consciência sobre a nossa própria capacidade (e responsabilidade dos líderes) de integrar a paz e a luz (importante na escuridão e no caos) e de a reflectir como se de um espelho se tratasse ou como uma luz ao fundo de um túnel.
                                                                                                                                                           Sonia Ribeiro, curadora

"Guiadores" explores in a creative way the responses of the artist Cristiano Mangovo to the exercise of the balance of power (and its contradictions) between a society that is constantly changing and the questioning of this same society. Development and evolution are not necessarily synonymous, but they do not contradict each other.
 
Committed to the main specific issues of the context in which it operates, such as environmental protection, women's rights, or on topics such as consumerism, human values, social relations or urbanism, the artist has as framework the urban landscape and Scenes of everyday life.
 
Today's African landscape offers new ways of reflection and dialogue in all aspects. Change, speed and surprise are constant. Energy, urgency and emotion are a nutritious and therefore fertile presence.
 
Certainly, development is linked to human and social values, as evolution is linked to technology and knowledge. In this balance (or imbalance), the artist proposes a closer look at the consequences that are intrinsically linked: games of power, manipulation, unbridled consumerism, violence and paternalism, but also energy, light and the memory of a past that exists in a modern system And evolutionary.
 
The artist's philosophy is based on three letters "WNN: Winkeba and Nkeba bu Nkaka". In ibinda, one of the languages ​​that is part of the national languages ​​of the Republic of Angola, also known as spinote, to signify: "protect yourself and protect others too."
 
Mangovo presents in this exhibition 27 paintings and 3 sculptures in a collection that covers different periods of maturation, technique and style. Works like "Candongueiro de Verão" and "Encuentro das zungueiras", Expressionists by themselves, allow a more emotional dynamic, since they represent all this tradition and energy (often of chaos), in a dance and a mixture of colors; "134", "Blue Universe" and "Peace Energy" refer us to a process of awareness of violence and the need for light and peace.
 
"Guiadores" brings us also the more contemporary side of the artist, expressed in the hyperrealism style and in the more global themes, which, through the notion of "motorman" as metaphor, reminds us of the importance of autonomy and independence, above all In thought ("I want me") and the urgency of development. The motorcycle is a means to an end and is an expression of evolution in the context of developing countries. In the artist's own words "Every day we try to move from point A to point B in various ways, physically or spiritually. This is the whole march that a person is forced to make in order to feel a certain evolution in his daily life. "
 
The works "Business as usual", "Dalai Lama" and "Pope", allow us to become aware of our own ability (and the responsibility of leaders) to integrate peace and light (important in darkness and chaos) And to reflect it as if it were a mirror or as a light at the end of a tunnel.

 

 

Sonia Ribeiro
Curadora