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O filho da Zungueira. 100 x 100 cm, Acrílico sobre tela.

As Zungueiras são as vendedoras ambulantes da cidade de Luanda. Elas conhecem muito bem a cidade porque "zungam" (andam de um lado para o outro) em todos os bairros, até nos arredores do palácio presidencial vão lá quando há falta de compradores na cidade. Elas são "corridas" todos os dias pela polícia e pela fiscalização por causa de venderem ilegalmente, e por não pagarem impostos.

O filho da Zungueira, é o menino que fica em casa, aguentando a fome e tudo o que lhe faltar, à espera que a mãe traga de regresso alguma coisa para comerem. Ele está de pé em cima do xadrez, dependendo do sustento da sua mãe num mundo de negócio.

O menino tem esperança que amanhã tudo será melhor, pois ele vive todos os dias num fundo de esperança.

Mas se lhe perguntares como ele vai, é raro ele te dizer o que lhe falta. Somente vai te dizer que está melhor, pois para o miúdo não existe a crise, só existe o vazio que já se acostumou a aguentar. 

Filho da Zungueira.

 

The son of Zungueira. 100 x 100 cm, Acrylic on canvas.

Zungueiras are the street vendors of the city of Luanda. They know the city very well because they "zungam" (pacing) in all neighborhoods, even in the vicinity of the presidential palace they go there when there is a lack of buyers in the city. They are "run" every day by police and enforcement because of illegally selling, and for not paying taxes.

The son of Zungueira, is the boy who stays at home, enduring hunger and all that is missing, waiting for the mother to bring something back to eat. He is standing on the chessboard, depending on his mother's livelihood in a business world.

The boy has hope that tomorrow everything will be better, because he lives every day in a fund of hope.

But if you ask him how he goes, he rarely tells you what he lacks. It will only tell you that it is better, because for the kid there is no crisis, there is only the emptiness that has become accustomed to endure.

Son of Zungueira.